quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Apresentação




UNIVERSIDADE CATÓLICA DO SALVADOR – UCSal
Curso: Serviço Social e Direito
Disciplina: Estudos Socioantropologicos e Filosofia, Ética e Cidadania
Turma: 51
Professores: Ana Claudia Gomes e Carlos Inácio
Equipe:
Fernanda Oliveira
Nathalia Lopes
Norma Santos
Simone de Souza
Thaise Cristina 





Esse blog foi criado com o objetivo de abordarmos sobre um assunto de nosso interesse que fizesse parte do  tema geral do semestre: Cidadania e a Vida na Cidade. Dessa forma escolhemos como assunto para o nosso blog "O Crescimento Imobiliário na Avenida Paralela", que é de grande relevância para a vida da população soteropolitana e da região metropolitana que trafega, mora, utiliza diariamente esse local. 

Sejam bem vindos!

Crescimento imobiliário e desenvolvimento urbano: por que nossas cidades continuam tão precárias?

A Av. Paralela, nos últimos 10 anos, passa a abrigar grandes incorporações comerciais da cidade, incluindo concessionárias de carros, hipermercados, shopping centers, universidades e, mais recentemente, grandes empreendimentos imobiliários do tipo condomínios fechados de casas e de apartamentos, que oferecem segurança e infraestrutura de lazer. Nos últimos cinco anos, a região da Paralela passou por expansão mobiliaria e já são 50.000 novos moradores.
O mercado imobiliário cresce em salvador em ritmo acelerado visando não somente a qualidade de vida, os espaços que deveriam preservar a Mata Atlantica são alvos das construtoras e, dessa forma, surgem os novos empreendimentos e consequentemente o numero de carros circulando nessa região.
A partir de dados relativos, bem como análises históricas do seu comportamento social e financeiro buscou-se relacionar ao consumo da sociedade ‘burguesa’. Analisar o sistema financeiro de habitação e a sua evolução, permitiu identificar a importância dos recursos compulsórios, como lastro para uma política habitacional adotada em prol da melhoria de vida e social. Em contrapartida o desonerado de intervenções financeiras, deu mais abrangência às operações imobiliárias e resultou num contexto de relações privadas e autorreguladas. A modernização das operações imobiliárias trazida pelo progresso pressupôs a inclusão de luxo porem com consequências à natureza.  O crescimento da cidade se da de maneira desenfreada e não planejado que visa somente o dinheiro e lucro no bolso dos poderosos, somando-se com a ma distribuição publica leva a cidade a dar adeus ao resto do verde de mata atlântica que ainda existia.
O modo de se pensar este crescimento, se da a partir de lógicas distintas: a econômica e a social. De quem produz um espaço elitizado, ditando regras e valorizando seus terrenos, seja para a comercialização ou especulação imobiliária e, de quem tem que se contentar com as sobras, com os terrenos  que não servem para os detentores do poder e (do capital), ou se utilizando terrenos inutilizáveis devido a sua localização e tipo. É nas regiões metropolitanas que o resultado da desigualdade social exarcebada se apresenta de forma escancarada, representada pela segregação espacial e exclusão social, ou seja,por este motivo fala-se da diferença entre desenvolvimento e crescimento imobiliário.


Autora: Thaise Cristina 



Gênesis

(Uma crítica ao desenvolvimento (In) sustentável)



O homem criou as máquinas quando percebeu
Que podia transformar ossos, pedras e outros
objetos da natureza em utensílios (coisas úteis),
...E viu que era bom.


O homem criou máquinas maiores, o trabalho deixava
de ser feito em casa. As pessoas foram trabalhar nas
primeiras fábricas e começaram a receber  salário.
... E viu que era bom


O homem passou a comprar; primeiro a oferta era pouca
(sem concorrência), então globalizou.
... E viu que era bom


E o homem criou e aperfeiçoou as formas de comunicação
ampliou os signos, símbolos.
...E viu que era bom.


O homem criou o rádio, a televisão, o computador, o satélite,
A Internet, o telefone fixo e móvel.
... E viu que era bom.


O homem continuou criando... as guerras, a miséria,
o desmatamento, a extinção, a intolerância, seu próprio
cárcere ‘blindado’.
... E ainda não viu, e ainda não viu.



Autora: Simone de Souza


Retrato da atual Av. Paralela

Salvador é uma cidade que possui solo e regiões verdes privilegiadas, ou pelo menos possuía a um tempo atrás. Ate meados dos anos 40a área da Paralela e de toda a cidade, era considerada rural, com a presença de chácaras, fazendas, sítios. Em 50 a cidade começou a expandir-se precisando de mudanças na tipologia local. Nos anos 60 as chácaras começam a sumir, e passam a existir lotes menores.
A partir dos anos 70 esse cenário passa a ser modificado e assim foi criada a grande e inovadora Avenida Paralela, idealizada por Antonio Carlos Magalhães e o secretario de planejamento da época Mario Kertezs e criada por Lúcio Costa. Tomada pela mata Atlântica em todo o seu comprimento, ela veio para ser o eixo de expansão urbana da cidade de Salvador, possuindo 14 km de extensão e um canteiro centra de mesmo tamanho, e teve como primeira grande obra o CAB (Centro Administrativo da Bahia).

 

Sou um soteropolitana que utiliza diariamente a Av. Paralela e posso notar que   nesses últimos anos a expansão da Av. Paralela foi tão grande, que fazendo um balanço dos empreendimentos imobiliários  que surgiram, concluo que existe aproximadamente cinco universidades, trinta condomínios de médio e longo porte, três shoppings e dez grandes empresas, além do Parque Tecnológico da Bahia – um exemplo de responsabilidade socioambiental, além de muitos outros que não me recordo no momento.







Assim o que posso observa é que esse acelerado processo de urbanização, tem colocado em risco o patrimônio natural dessa avenida, formado pela Mata Atlântica, onde frequentemente são feitas ações de desmatamento afim de implantar novos empreendimentos.

Autor: Fernanda Oliveira

O crescimento desordenado da Avenida Paralela e suas consequências


A Av. Paralela que no inicio de sua criação levava o nada a lugar nenhum, hoje é o trajeto de maior fluxo de circulação, que liga vários pontos importantes da cidade. Imagine que em Salvador cerca de seis mil carros vão as ruas por mês e em sua maioria circulam nos horários de fluxo na Paralela, assim são causados congestionamentos que antes se resumia só a pontos como Iguatemi, hoje se expandiu para toda a cidade, principalmente na avenida em qualquer horário. De acordo com OMS (Organização Mundial de Saúde), a um aumento na ocorrência de derrame, infarto e arritmia em motoristas e passageiros com doenças coronária que permanecem no transito congestionado, que acontece cerca de um dia depois da exposição no transito.

Tem também o problema com os animais, que perdem espaço no seu habitat natural e sem ter onde morar fogem para as zonas residenciais e comerciais, assim podem ser mortos por maquinas ou pelos homens, quando não são salvos ou passam a ser uma ameaça a população, um exemplo são cobras, ratos e o mosquito de chagas que podem transmitir doenças para a população.

Outra consequência é a questão do âmbito econômico que também é influenciado, pois com o estresse da população, a poluição ambiental o crescimento e violência urbana que implicam em uma saúde de péssima qualidade, um trabalhador de baixo rendimento que se resume em um PIB abaixo do potencial nacional.

Se a cidade já encontra-se situada em um caos urbano, que só tende a aumentar. Imagine o que ira acontecer com a mesma, quando os empreendimentos que estão em construção forem inaugurados?



Autora: Natalia Lopes Ferreira

Retratos das consequências.

Na Avenida Luís Viana Filho, mais conhecida como Paralela, temos um retrato de uma cidade desumana e desigual. Onde os grandes investidores detentores do poder, alastram a cada dia com seus empreendimentos que por sua vez obriga os pobres derrubarem as suas humildes casas para dar lugar as lucrativas construções, locais consideradas propícias para seus investimentos. Estes e outros problemas a população e baixa renda sofre pelas novas construções na paralela. Visando aumentar o padrão de acumulação do capital na região, com construção de grandes prédios comerciais e residenciais. A destruições das matas e florestas  ocorre a passos largos, com devastação criminosa das áreas verdes dando lugar aos grandes empreendimentos, causando prejuízo a população e ao meio ambiente, é neste aspecto devastador que se encontra a expansão imobiliária na paralela, sem qualquer rigor no que se refere aos autoridades competentes.

As muitas construções são a causa de grande desmatamento ambiental, que sofre devastação do meio ambiente, comprometendo assim a qualidades de vida dos moradores e adjacência, a retirada da cobertura vegetal que mantém o equilíbrio dos ecossistemas, causa prejuízo também no que refere a biodiversidade, degradação do solo e o aumento da incidência de desertificação, erosões, mudanças climáticas, causando também poluição do ar que provoca a emissão do CO²( dióxido de carbono na atmosfera colocando em risco o ecossistema.

A natureza sofre exploração muito intensa, tudo isso para satisfazer os interesses econômicos da sociedade capitalista e de seus altos índices de bens e de consumo.
A queima de combustíveis fósseis (carvão mineral e petróleo), processo de combustão ocorrido nos veículos automotivos que gera o CO²  e que aumentam velozmente por consequência das novas construções, gera prejuízo no ar e na atmosfera, causando problemas respiratório, circulatório e outros problemas a saúde, sem falar nos grandes engarrafamentos visíveis a todos que transitam naquele local.

“Estamos a dez anos da aprovação do Estatuto da Cidade e infelizmente, a administração pública é incapaz de entender a formulação de uma sociedade. O papel do poder público é pensar a cidade no coletivo, e isto está fragilizado. Entender o controle social como se resolve apenas no Judiciário é um engano. É preciso ir além”. Pois é necessária urgência de se reverem os parâmetros de se pensar a cidade. “O foco deve ser prioritariamente os interesses público e coletivo”.

A fragmentação da Mata Atlântica também está correlacionada aos seus aspectos intrínsecos de grande  interesse econômico, capazes de despertar cobiça exacerbada para sustentar as demandas de um mercado altamente consumidor, que sacrifica tudo em nome do lucro e da vaidade. Para tanto, há grandes pressões e investidas nada ecológicas contra esse bioma de natureza tão rica e diversa, perpassando os sucessivos ciclos econômicos que converteriam a floresta atlântica a fragmentos de formas e tamanhos cada vez mais reduzidos (TRINDADE, 2004). Para Wilson (1997), caso a devastação das florestas tropicais continue nas proporções em que se encontra, até o ano de 2022, metade daquilo que lhe resta estará completamente exterminado. Ainda de acordo com as abordagens de Wilson, estamos no meio de um grande caos ecológico, cujas conseqüências podem desencadear um dos maiores movimentos de extinção da história ecológica do planeta.

Pode-se deduzir que, ao longo do tempo, ocorreram constantes pressões imobiliárias para ocupação das áreas livres da Avenida Paralela. Uma tendência legitimada por vultosos empreendimentos que garantem assegurar a preservação de áreas verdes e o bem-estar e qualidade de vida dos habitantes, mas que, contraditoriamente, envolvem a quase totalidade da ocupação, dos espelhos d’água e áreas úmidas. 

Autora: Norma Santos

Vídeos

Gente, 


Achamos o link de dois videos, o primeiro é do arquiteto e urbanista Carlos Leite, de um modo geral ele traz questões do crescimento urbano e a mediada que vai rodando mostra os problemas e soluções. 

Vídeo 01

E o outro vídeo é de uma reportagem de um jornal. Muito interessante também, ilustra questões que estamos abordando. 

Vídeo 02


Espero que gostem! 


Caminhos possíveis: Minimizando os problemas advindos do Crescimento imobiliário


Engarrafamentos, longas esperas e a superlotação nos ônibus já são problemas conhecidos para quem transita, ou pelo menos, tenta transitar na cidade de São Salvador. Sem falar, na perda de recursos naturais (desmatamento e desgastes). Estes, consequência de uma série de fatores como a expansão imobiliária e o excesso de veículos são apenas a ponta do ice berg, pois submerso está o binômio crescimento econômico/meio ambiente. E a pergunta que não quer calar: Qual a solução???

Vocês devem concordar comigo de que essa não é uma pergunta que possa ser respondida com um simples sim ou não. A priori, faz-se necessário analisarmos quais as alternativas possíveis para driblar o problemas.

Bem, é uma tarefa complexa, por isso, consultei 05 (cinco) soteropolitanos que questionados sobre as soluções para os problemas consequentes do crescimento imobiliário apontaram: a) A adesão do veículo leve sobre trilhos; b)construção de viadutos; c)construção de passarelas para pedestres; d) construção de ciclovias; e)construção de faixa exclusiva para ônibus; f)rodízio; g)rever a legislação que autoriza as construções, etc.

Percebe-se que todas essas estratégias trazem consigo questões políticas amplas, que  remete-nos ao PLANEJAMENTO URBANO, em linhas gerais, este lida com os processos de produção, estruturação e apropriação do espaço urbano.

A solução se encontra na possibilidade de um planejamento eficiente que analise holisticamente a estrutura social atual, e atue promovendo mudanças estruturais a médio e longos prazos.

Há necessidade de dispormos de Políticas de Estado claras e exequíveis, de implementar Planos diretores setoriais (mobilidade urbana, habitação e transporte integrado), necessidade de legislação atualizada que possa dar conta das demandas atuais, entre outras, recursos orçamentários realistas e transparentes.   

Contudo, enquanto a Sociedade pensar que os espaços devem apenas satisfazer suas necessidades (o homem é o centro da sociedade) e tudo a sua volta deve colaborar para sua plena satisfação, a palavra que ecoa é o poder de consumo. E infelizmente, é este quem tem dado as cartas nesta questão.

Retornamos ao ponto de partida: Qual a solução??

                                   


Autora: Simone de Souza